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Massagens · desmistificamos mitos

Quanto mais forte, melhor — é um mito na massagem desportiva

A dor durante a massagem desportiva é frequentemente confundida com eficácia. É um dos mal-entendidos mais dispendiosos na recuperação.

8 min de leitura

Imagem ilustrativa. Mostra um exemplo do decorrer do tratamento.

8 min de leitura27 junho 2026

A massagem desportiva tem um dos mitos mais fortes de todo o mundo do wellness: quanto mais dói, melhor funciona. Soa como algo que um treinador de outros tempos diria — e é exatamente daí que vem essa crença. Entretanto, a fisioterapia desportiva descreve há anos algo completamente diferente: a intensidade e a profundidade são uma ferramenta, não um fim em si mesmas. Adequar a força da pressão à situação, ao estado dos tecidos e ao momento do ciclo de treino é precisamente o que distingue uma massagem profissional de uma compressão dolorosa dos músculos. Reunimos seis mitos que ouvimos com mais frequência — desde "tem de doer" até "quanto mais frequente, melhor" — e mostramos o que realmente se sabe sobre a recuperação.

De onde surgiu o mito da dor

A crença de que a massagem desportiva tem de doer tem as suas raízes na cultura de treino dos anos 80 e 90 — uma era em que a dor era tratada como prova de esforço. O "no pain, no gain" do ginásio passou para o gabinete de massagem quase sem modificações. A isto juntaram-se dois outros fatores: em primeiro lugar, a massagem profunda dos tecidos pode realmente provocar desconforto em curtos intervalos, o que algumas pessoas interpretam como "ação". Em segundo lugar, as dores musculares após a massagem (mais precisamente: dor muscular de início tardio, DOMS, conhecida pelos massagistas há anos) são por vezes confundidas com prova de profundidade de atuação — embora sejam simplesmente uma reação inflamatória a microlesões dos tecidos.

Seis mitos — um a um

Mito 1: "Tem de doer, senão não funciona". É a crença mais comum e mais perigosa — perigosa porque pode levar a lesões reais. Estudos no âmbito da fisioterapia desportiva indicam que a dor intensa durante a massagem ativa os reflexos de defesa dos músculos — os tecidos tensionam-se em vez de relaxar, o que é exatamente o efeito oposto ao pretendido. O desconforto ao nível de "sinto que aqui está a trabalhar" é normal, momentâneo e subtil. A dor aguda que o faz prender a respiração — é um sinal de que a pressão é demasiado forte ou a técnica inadequada ao estado dos tecidos. Um bom massagista desportivo pergunta, observa a respiração e ajusta a força em tempo real, em vez de aplicar uma pressão uniforme a cada músculo.

Mito 2: "Massagem mais profunda é sempre melhor". A "massagem profunda dos tecidos" é uma técnica, não um sinónimo de qualidade. A profundidade do trabalho significa alcançar camadas musculares mais profundas — mas isso faz-se gradualmente, após aquecer os tecidos superficiais, não com pressão forte direta. Entrar "a frio" na profundidade provoca frequentemente microlesões em vez de libertação da tensão. Além disso, muitos problemas de sobrecarga — distensões, sobrecarga dos tendões, microlesões — exigem um trabalho delicado e preciso, e não intensivo. A força da massagem é a capacidade de escolher a técnica, não a força das mãos.

Mito 3: "Após um treino intenso — massagem imediatamente, quanto mais cedo, melhor". A intuição sugere: os músculos doem, vá fazer uma massagem. A fisiologia diz outra coisa. Imediatamente após um esforço muito intenso, os tecidos podem estar num estado de sobrecarga aguda ou de inflamação inicial — e o trabalho mecânico intensivo pode agravá-la, em vez de a travar. Dependendo do tipo de esforço, do estado individual dos tecidos e do próximo treino planeado — o momento ideal para a massagem desportiva pode variar. Por vezes, o melhor movimento logo após o esforço é arrefecimento, alongamento leve ou simplesmente descanso, e a massagem — no dia seguinte.

Mito 4: "As dores musculares após a massagem são prova da profundidade do trabalho". As dores musculares após a massagem (DOMS — delayed onset muscle soreness) são um fenómeno conhecido e descrito. Podem surgir se a massagem foi realizada com técnicas que sobrecarregam mecanicamente os tecidos — mas isso não é um marcador de qualidade. Pelo contrário: uma massagem de recuperação bem executada frequentemente não deixa dores musculares, porque os tecidos foram preparados, o trabalho foi progressivo e a pressão foi adequada ao estado dos músculos. As dores musculares após a massagem são um sinal de que algo não estava certo — pressão demasiado forte, pouco tempo para aquecer o tecido, momento errado no ciclo.

Mito 5: "A massagem desportiva é só após o treino — para recuperação". A massagem desportiva tem três funções completamente diferentes, dependendo do momento: pré-competitiva (um a dois dias antes da partida) — curta, estimulante, ativadora, sem trabalho profundo; intra-treino / entre sessões — de recuperação, orientada para relaxar as zonas sobrecarregadas e melhorar a circulação; após a competição ou bloco intenso — reconstrutiva, frequentemente com técnicas de drenagem e trabalho no tecido conjuntivo. Aplicar uma única técnica independentemente do contexto é um dos erros mais comuns — e por isso falar com o massagista antes da sessão é tão importante como a própria sessão.

Mito 6: "As sessões diárias aceleram os resultados". Mais não significa melhor — e no caso da massagem desportiva esta regra é literal. Os tecidos precisam de tempo para se adaptarem e reconstruírem após o trabalho manual. As massagens intensivas diárias não dão esse espaço aos tecidos — o que pode levar a hipersensibilidade, inflamação e aumento paradoxal da tensão muscular. A frequência ideal determina-se individualmente, em função da intensidade do treino, da recuperação e dos objetivos — e pode ser completamente diferente numa pessoa que treina recreativamente e num atleta no pico da preparação.

O que realmente distingue uma massagem desportiva eficaz

Se os mitos se desfazem face à escolha da técnica adequada à situação, vale a pena saber como é uma massagem que realmente apoia a regeneração. Três coisas dizem mais sobre isso do que qualquer opinião na internet. A primeira — a conversa antes da sessão. Um bom massagista desportivo não pergunta apenas «o que dói», mas quando foi o último treino, o que planeia para amanhã e qual é o objetivo da sua sessão. São informações que alteram completamente a escolha das técnicas, a força da pressão e a duração do trabalho em cada zona. A ausência desta conversa é um sinal de alerta. A segunda — o ajuste dinâmico da pressão. Durante a sessão, os tecidos mudam — aquecem, relaxam, reagem. O massagista desportivo observa este processo e ajusta o trabalho à resposta do corpo, em vez de aplicar um esquema pré-definido e uniforme. Muda a respiração, muda a tensão, muda a pressão. A terceira — a conversa após a sessão. Uma boa sessão termina com feedback: o que o massagista encontrou, que zonas requerem atenção, o que vale a pena fazer antes do próximo treino. É um elemento de educação do corpo que, a longo prazo, pode significar mais do que a própria sessão.

Massagem desportiva e atividade recreativa — será apenas para profissionais

A massagem desportiva é associada sobretudo ao mundo dos atletas profissionais e das equipas desportivas. No entanto, é cada vez mais utilizada por quem é regularmente ativo — independentemente de competir ou de treinar por prazer. Sobrecarga dos quadríceps após uma corrida, tensão na zona torácica após o ginásio, dor crónica no pescoço em pessoas que passam muito tempo ao computador (mesmo quando praticam desporto à noite) — são todas situações em que as técnicas de massagem desportiva são eficazes, ainda que «desportiva» seja aqui uma palavra usada de forma abrangente.

Nas mulheres ativas, uma das zonas de trabalho mais frequentes são os músculos glúteos, a banda iliotibial e a zona lombar — sobrecarregados durante a corrida, o ciclismo e as aulas de fitness. Nos homens — a cintura escapular, a coluna torácica e as coxas — típicos dos treinos de força e de contacto. Em ambos os casos, a massagem desportiva pode apoiar não só a regeneração após o esforço, mas também a prevenção de lesões através do relaxamento regular das zonas de tensão crónica — antes que se tornem um problema real.

Imagem ilustrativa. Mostra um exemplo do decorrer do tratamento.

Como preparar-se para uma massagem desportiva — algumas indicações concretas

  1. 01

    Garanta uma boa hidratação

    Uma hidratação adequada antes da sessão favorece o fluxo linfático e a irrigação dos tecidos — uma massagem num organismo desidratado pode ser menos eficaz e mais dolorosa.

  2. 02

    Informe sobre o seu plano de treino

    Antes da sessão, conte o que fez nos últimos dias e o que planeia fazer. Isto é fundamental — determina a escolha das técnicas e a intensidade do trabalho.

  3. 03

    Não coma imediatamente antes do tratamento

    Uma refeição abundante imediatamente antes da massagem pode causar desconforto no trabalho sobre o abdómen e zonas adjacentes. A leveza favorece o trabalho manual.

  4. 04

    Fale sobre as sensações durante a sessão

    Se a pressão for demasiado forte ou se a zona de trabalho provocar dor aguda — diga. Não é um obstáculo, é uma informação de que o massagista precisa.

  5. 05

    Dê-se tempo após a sessão

    Algumas horas de atividade mais calma após a massagem favorecem uma melhor assimilação dos efeitos — um treino intenso logo após a sessão pode perturbá-los.

Combinar a massagem desportiva com outros tratamentos

A massagem desportiva funciona muito bem por si só — mas, no contexto de um trabalho corporal completo, num gabinete de cosmetologia ou de fisioterapia, é por vezes combinada com outros métodos que se reforçam mutuamente. Não se trata de fazer «tudo ao mesmo tempo», mas de escolher conscientemente algumas ferramentas para um único objetivo.

Drenagem linfática

Complementa a massagem desportiva do ponto de vista do sistema linfático — redução de edemas, apoio à eliminação dos produtos do metabolismo após esforço intenso. Particularmente útil nas fases de blocos de treino intensos.

Massagem clássica

Boa como «aquecimento» de uma série ou nos dias de carga mais leve — trabalho superficial com ênfase no relaxamento e na irrigação geral. Frequentemente precede ou alterna com as técnicas desportivas.

Massagem com pedras quentes

O calor do basalto relaxa profundamente os músculos e prepara os tecidos para o trabalho — particularmente útil nas tensões crónicas das zonas profundas, onde a simples amassadura encontra resistência.

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