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Laser e corpo · desmistificamos mitos

Melasma não é uma mancha comum — porque é que o IPL por vezes a agrava

O IPL remove hiperpigmentações — mas não todas. A melasma é a exceção que vale a pena conhecer antes do primeiro tratamento.

8 min de leitura

Imagem ilustrativa. Mostra um exemplo do decorrer do tratamento.

8 min de leitura27 junho 2026

As hiperpigmentações causadas pelo sol desaparecem após algumas sessões de IPL — é um facto que se confirma no consultório todos os dias. Mas todos os anos chegam até nós várias pessoas com o mesmo problema: fiz IPL noutro sítio e as minhas manchas estão mais escuras do que antes do tratamento. Em todos os casos, verifica-se que não era uma «mancha comum» — era melasma. E essa distinção faz toda a diferença. A seguir explicamos de onde vem este paradoxo, que mitos se criaram em torno do tratamento da melasma e porque é que o que funciona na hiperpigmentação solar pode ser prejudicial na melasma — e não há aqui qualquer culpa do aparelho nem do especialista, se não sabiam com o que estavam a lidar.

Em que difere a melasma de uma hiperpigmentação «comum»

A maioria das manchas no rosto forma-se de forma simples: os melanócitos (células pigmentares) produzem melanina em resposta a lesões UV, a pele pigmenta-se e, com o tempo — e com os cuidados adequados — clareia. O IPL, que atua por fototermólise seletiva (absorção da energia luminosa pelo pigmento), desfaz os aglomerados de melanina e a mancha vai desvanecendo gradualmente. Mecanismo simples, efeitos previsíveis.

A melasma funciona de outra forma. É uma sobreprodução de melanina hormonalmente impulsionada, na qual os melanócitos estão permanentemente em modo «excessivo» — não por uma única lesão UV, mas por uma desregulação prolongada. Os principais desencadeadores são os estrogénios (gravidez, contraceção hormonal, THS), a exposição solar crónica e a predisposição genética. As manchas são simétricas, na maioria das vezes nas bochechas, no lábio superior, na testa e no queixo, e tendem a recidivar independentemente do tratamento.

A diferença fundamental que vale a pena memorizar: numa hiperpigmentação solar, a célula pigmentar produziu melanina em excesso uma vez e aguarda tranquilamente o sinal para se acalmar. Na melasma, essa célula está cronicamente hiper-reativa — e até uma irritação ligeira (calor, energia luminosa, pressão) pode estimulá-la a libertar mais uma dose de pigmento. É precisamente por isso que o IPL é aqui contraproducente.

Porque é que o IPL pode agravar a melasma — e porque não é um erro do aparelho

O IPL (intense pulsed light) emite um amplo espetro de luz que é absorvido pela melanina e convertido em calor. Esse calor destrói os aglomerados de pigmento — e esse é o efeito desejado nas hiperpigmentações solares e nas sardas. O problema é que o calor é também um dos desencadeadores dos melanócitos hiper-reativos na melasma.

O mecanismo do «efeito inverso» é o seguinte: a energia do IPL chega aos melanócitos, destrói parte do pigmento existente (o que pode clarear a pele por um momento), mas ao mesmo tempo estimula os melanócitos vizinhos, cronicamente irritáveis, a produzir nova melanina. O efeito após algumas semanas: a mancha fica mais escura, mais difusa ou surgem novos focos. Em dermatologia, este fenómeno designa-se hiperpigmentação reativa pós-inflamatória (PIH) — e é precisamente ele que faz com que a melasma e o IPL sejam muitas vezes uma má combinação.

Hiperpigmentação solar / pós-solar

Bom candidato a IPL

  • Assimétrica, geralmente num único local de exposição
  • Bordo bem delimitado em relação à pele circundante
  • Não reage a hormonas nem ao stress
  • Não recidiva após tratamento eficaz
  • Pele clara — menor risco de PIH

Melasma

Requer uma abordagem diferente

  • Simétrica, abrange zonas características (bochechas, testa, lábio superior)
  • Limites pouco nítidos, frequentemente funde-se com a zona circundante
  • Associada aos estrogénios e aos UV — recidivas após exposição
  • Melanócitos hiper-reativos — reagem ao calor e à irritação
  • Pele mais escura — maior risco de PIH reativa após IPL

Seis mitos sobre a melasma que ouvimos no consultório

Mito 1: «É só uma mancha do sol — basta evitar a praia». O sol é o principal desencadeador, mas não o único. A melasma pode surgir ou intensificar-se sem exposição solar — bastam os estrogénios (gravidez, pílula contracetiva, terapêutica hormonal de substituição) ou a predisposição genética. As pessoas que «nunca se expõem ao sol» também a podem ter.

Mito 2: «Desaparece sozinha após o parto». Em muitas mulheres, a melasma da gravidez desvanece realmente após o fim da amamentação e a estabilização das hormonas — mas em cerca de um terço permanece e pode consolidar-se, se for continuamente estimulada pelo sol. Esperar anos «até passar sozinha» significa frequentemente um pigmento mais profundamente instalado e um tratamento mais difícil.

Mito 3: «Basta um sérum caro com vitamina C». A vitamina C, a niacinamida, o ácido kójico ou a arbutina podem inibir a atividade dos melanócitos e clarear a pele — é uma ação real, apoiada por estudos. Mas na melasma ativa, a cosmética por si só não chega. Sem fotoproteção simultânea (SPF 50+ aplicado de forma consistente, não apenas «na praia»), qualquer ação clareadora é anulada por sucessivas estimulações UV.

Mito 4: «Um peeling ácido clareia rapidamente as manchas». Os peelings ácidos (AHA, TCA) podem atuar na melasma — mas uma esfoliação agressiva sem preparação da pele é uma das formas mais rápidas de provocar PIH reativa. Os protocolos médicos na melasma começam habitualmente por uma longa fase preparatória (retinoides, inibidores da melanogénese) e só depois introduzem o peeling — em baixa concentração, com rigorosa fotoproteção.

Mito 5: «O laser fracionado é o mesmo que a IPL — também é melhor evitar». Não exatamente. São duas tecnologias diferentes com mecanismos de ação distintos. A IPL atua através da absorção de calor pelo pigmento. Alguns lasers fracionados atuam através de microcanais na pele, contornando o pigmento superficial — e nas mãos de um especialista experiente, com o protocolo adequado, podem ser utilizados no melasma com bons resultados. A chave está na seleção dos parâmetros e na avaliação do risco — não na exclusão automática de todos os lasers.

Mito 6: «Uma vez tratado, não volta». O melasma é uma doença crónica, e não uma mancha pontual para remover. Mesmo após um clareamento eficaz, os melanócitos permanecem hiperreativos — e com a exposição solar, alterações hormonais ou gravidez podem voltar a produzir pigmento. O objetivo realista é o controlo e a manutenção do efeito, não uma «cura» única.

O que realmente funciona no melasma — hierarquia de eficácia

O tratamento do melasma é uma maratona, não um sprint — e exige a combinação de vários métodos que atuam simultaneamente a diferentes níveis. Não existe um único procedimento que «elimine o melasma de uma vez por todas», mas existem protocolos que proporcionam uma melhoria real e duradoura (embora exigindo manutenção).

  1. 01

    Fase preparatória (4–8 semanas)

    Antes de qualquer procedimento: despigmentantes (hidroquinona ou as suas alternativas — ácido kójico, niacinamida, azelaico, arbutina), retinoides à noite, fotoproteção rigorosa SPF 50+ todos os dias. Objetivo: acalmar a atividade dos melanócitos antes de uma estimulação mais invasiva.

  2. 02

    Procedimentos em consultório — selecionados de acordo com a profundidade do pigmento

    Peelings químicos (concentrações baixas, protocolos dedicados ao melasma), mesoterapia com substâncias despigmentantes, laser Nd:YAG (modo Q-switched ou pico — com a qualificação adequada), por vezes microagulhamento com um cocktail despigmentante. Cada uma das opções tem as suas indicações e contraindicações a avaliar pelo especialista.

  3. 03

    Fase de manutenção (permanente)

    Após a obtenção do efeito: continuação de SPF 50+ durante todo o ano, utilização sazonal de despigmentantes, evitar os desencadeadores hormonais se possível, eventuais procedimentos de manutenção a cada poucos meses.

Vale a pena saber que a abordagem ao melasma varia consoante a profundidade do pigmento. O melasma epidérmico (pigmento apenas nas camadas superiores, bem visível à lâmpada de Wood) responde melhor ao tratamento do que o dérmico ou misto (pigmento mais profundo). Esta avaliação só é possível em consulta — e tem influência direta nas métodos que serão propostos.

Peeling químico + mesoterapia despigmentante

A combinação clássica: o peeling descama as camadas com excesso de pigmento, e a mesoterapia fornece substâncias inibidoras da melanogénese diretamente à pele. Efeitos visíveis gradualmente, risco de PIH baixo com a seleção adequada.

Laser fracionado (não ablativo) + fase de despigmentação

No melasma dérmico e misto — o laser fracionado pode alcançar o pigmento mais profundamente do que o peeling. Exige um acalmar prévio da pele e um regime rigoroso de fotoproteção. Nem todos os tipos de laser são adequados — é necessária uma qualificação individual.

Microagulhamento + cocktail com ácido tranexâmico

O ácido tranexâmico bloqueia as vias da melanogénese ao nível celular — administrado através do microagulhamento, alcança as camadas mais profundas da pele. Protocolo cada vez mais popular para pessoas em que outros métodos produziam efeito ioiô.

Imagem ilustrativa. Mostra um exemplo do decorrer do tratamento.

Antes de reservar a IPL — cinco perguntas a verificar

Se tem hiperpigmentação e está a considerar a IPL, estas cinco perguntas ajudá-lo-ão a avaliar se é um bom candidato — ou se vale a pena falar primeiro sobre diagnóstico.

  • As suas manchas são simétricas? A simetria é um dos sinais mais fortes de melasma — com manchas assimétricas e isoladas, o risco é menor.
  • Surgiram ou intensificaram-se com a gravidez ou hormonas? Se sim, provavelmente trata-se de melasma, e não de hiperpigmentação solar.
  • Qual é o seu fototipo? Quanto mais escura a pele, maior o risco de PIH reativa após a IPL — o que exige um protocolo diferente ou outro método.
  • Já realizou algum procedimento para estas manchas? A informação sobre reações anteriores (clareamento, ausência de efeito, escurecimento) é uma indicação diagnóstica importante para o especialista.
  • Toma atualmente contracetivos hormonais ou está em THS? Um fator hormonal ativo é um argumento para preparar primeiro a pele — mesmo com uma boa qualificação.

Melasma e homens — mais raro, mas real

O melasma é por vezes chamado «doença das mulheres» — e estatisticamente afeta de facto mais frequentemente as mulheres, sobretudo em relação com os estrogénios. Mas os homens também o têm — estima-se que representem cerca de 10% de todos os casos. Nos homens, o principal desencadeador é a exposição solar crónica sem proteção, por vezes combinada com predisposição genética.

Especificidade do melasma nos homens: as manchas surgem de forma semelhante às mulheres (simetricamente, bochechas, testa), mas são frequentemente menosprezadas como «bronzeado» ou «hiperpigmentação pós-acne». O protocolo de tratamento é o mesmo que nas mulheres — com a diferença de que o desencadeador hormonal habitualmente não desempenha um papel, pelo que o controlo pode ser um pouco mais fácil. A barreira é sobretudo a disponibilidade para uma fotoproteção regular e um tratamento de vários meses — e isso é independente do sexo.

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