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Peelings · como funcionam realmente

BHA e AHA — em que o ácido salicílico difere do mandélico

Ambos esfoliam — mas um permanece à superfície e o outro penetra onde se acumula o sebo. A diferença é química, e os seus efeitos na pele — claramente visíveis.

8 min de leitura

Imagem ilustrativa. Mostra um exemplo do decorrer do tratamento.

8 min de leitura27 junho 2026

Os ácidos nos cuidados de pele entraram definitivamente no mainstream — e com eles veio uma considerável confusão conceptual. BHA, AHA, salicílico, mandélico, glicólico, láctico… os rótulos dos cosméticos enumeram-nos frequentemente de uma só vez, como se fosse uma única categoria que difere apenas no nome. Não é assim.

O BHA e o AHA são duas classes distintas de substâncias, que esfoliam a pele de forma completamente diferente, atingem camadas diferentes e são eficazes em problemas diferentes. Confundi-los não é um erro trivial — o ácido adequado numa pele com acne pode mudar realmente muito, o inadequado pode irritar ou simplesmente não fazer nada.

Neste texto decompomos a diferença nos seus elementos essenciais: da química ao mecanismo de ação até às indicações concretas. Sem fórmulas estruturais — mas com respostas às perguntas que realmente importam na pele.

Uma letra, dois mundos completamente diferentes

Comecemos pelo básico — porque para compreender a diferença na ação, vale a pena compreender o que se esconde por trás das siglas. AHA são alfa-hidroxiácidos, BHA são beta-hidroxiácidos. A diferença no nome reflete a diferença na estrutura química — e é precisamente essa estrutura que determina como cada um se comporta em contacto com a pele.

A diferença fundamental é uma só, mas fundamental: o BHA é lipossolúvel, o AHA — hidrossolúvel. Esta frase, que parece um pormenor químico, traduz-se na prática em tudo: onde o ácido chega, em que tipo de pele atua e que problemas é capaz de resolver. O BHA lida com a gordura — por isso penetra onde a gordura se acumula. O AHA trabalha à superfície — por isso ocupa-se do que acontece mesmo à superfície da pele.

  • AHA (alfa-hidroxiácidos): glicólico, mandélico, láctico, cítrico, málico. Trabalham à superfície da pele — relaxam as ligações entre as células mortas, facilitando a sua esfoliação. Atuam sobretudo na camada córnea da epiderme.
  • BHA (beta-hidroxiácidos): praticamente um único protagonista — o ácido salicílico. É lipossolúvel, por isso penetra através da camada de sebo e entra no interior da abertura do poro. É a única substância entre os ácidos de cuidado populares que chega onde se acumulam os comedões e proliferam as bactérias.

Pele oleosa e com acne — aqui manda o BHA

Se tem pele oleosa, com tendência para poros obstruídos, comedões ou borbulhas, o BHA é provavelmente o ácido que procura. A lógica é simples: o poro está preenchido de sebo, e o ácido salicílico gosta de gordura — por isso chega fisicamente onde o problema tem a sua origem.

No interior do poro, o BHA relaxa os queratinócitos acumulados (células mortas da pele misturadas com sebo) e facilita a sua evacuação para o exterior. É por isso que, após algum tempo de uso regular, os poros podem parecer menores — não porque se «fecharam» (os poros não têm músculos), mas porque estão simplesmente menos preenchidos. Além disso, o ácido salicílico tem propriedades anti-inflamatórias, o que o torna o único ácido esfoliante que simultaneamente acalma a vermelhidão em torno das borbulhas.

Pele seca, madura, com hiperpigmentação — aqui atua o AHA

Os AHA são ácidos com um alvo completamente diferente. Como são hidrossolúveis, não penetram no interior do poro — mas lidam excelentemente com tudo o que acontece à superfície: com a textura irregular, a hiperpigmentação, o tom baço e a aspereza. São ácidos criados para peles às quais falta não «desobstruir os poros», mas frescura, brilho e uma superfície suavizada.

O mecanismo de ação do AHA baseia-se no relaxamento das ligações entre os desmossomas — pontes proteicas que unem entre si as células da camada córnea. Quando essas ligações enfraquecem, as células antigas desprendem-se mais facilmente e, por baixo delas, surge uma epiderme «mais fresca». Para a pele madura isto é importante — porque com a idade o ciclo natural de renovação celular abranda significativamente, e as células mortas permanecem mais tempo, dando um efeito de cinzento e cansaço.

Entre os AHA vale a pena conhecer pelo menos duas formas principais — porque não são idênticas:

Ácido glicólico

a molécula mais pequena entre os AHA

  • Penetra mais profundamente na epiderme entre os AHA
  • Ação esfoliante e clareadora mais forte
  • Estimula a síntese de colagénio em concentrações mais elevadas
  • Pode irritar mais intensamente — exige habituação da pele

Ácido mandélico

a molécula maior entre os AHA populares

  • Molécula maior = penetração mais lenta = ação mais suave
  • Decididamente tolerado por peles sensíveis e com couperose
  • Recomendado no primeiro contacto com ácidos
  • Ligeiras propriedades antibacterianas

Comparação direta — a pele decide

Com toda a diferença na química, na prática a escolha entre BHA e AHA resume-se a uma pergunta: qual é o principal problema da sua pele? Poros obstruídos e oleosidade — BHA. Cinzento, secura, textura irregular — AHA. E se ambos?

BHA — ácido salicílico

esfoliação lipofílica (gosta de gordura)

  • Penetra no interior da abertura do poro
  • Dissolve o tampão sebo-queratínico
  • Atua nos comedões e nas borbulhas
  • Propriedades anti-inflamatórias
  • Para pele oleosa, mista, com acne

AHA — glicólico, mandélico, láctico

esfoliação hidrofílica (gosta de água)

  • Atua à superfície do estrato córneo
  • Relaxa as ligações entre as células mortas
  • Melhora a textura, o tom, o brilho
  • Em concentrações mais elevadas estimula o colagénio
  • Para pele seca, madura, com manchas

A pele mista é um caso em que a resposta pode ser complexa. A zona central do rosto (testa, nariz, queixo) pode necessitar de BHA — porque tem poros propensos a obstruir. As bochechas podem necessitar de AHA — porque são mais secas, mais baças, eventualmente com manchas. Uma boa prática é, então, utilizar ambos — mas em zonas diferentes ou em rotinas diferentes — em vez de escolher um à força.

Imagem ilustrativa. Mostra um exemplo do decorrer do tratamento.

É possível utilizar BHA e AHA em simultâneo?

Sim — e frequentemente faz sentido. Mas «em simultâneo» exige precisão, porque aqui é fácil provocar irritação excessiva.

  1. 01

    Um ácido de cada vez — para começar

    Se está agora a começar com ácidos, habitue a pele a um deles. Introduza lentamente — 2 a 3 vezes por semana, à noite. Observe a reação durante pelo menos 3 a 4 semanas.

  2. 02

    Combinação — dias diferentes ou produtos diferentes

    Quando a pele já está habituada, pode utilizar BHA e AHA alternadamente — uma noite BHA, na seguinte AHA. Ou utilizar um produto com ambos os ácidos numa combinação testada e pronta a usar.

  3. 03

    Na mesma noite — apenas com bom senso

    A aplicação dos dois ácidos seguidos na mesma noite só faz sentido com concentrações mais baixas e quando a pele está preparada para isso. Não compensa os efeitos — a soma da esfoliação não é sempre a soma dos benefícios.

  4. 04

    Filtro SPF de manhã — sempre

    Os ácidos aumentam a sensibilidade da pele à radiação UV. Após uma noite com ácido, de manhã o filtro não é uma opção, é uma condição necessária — sem ele, parte dos efeitos do trabalho reverte rapidamente.

Quando o ácido realmente atua — e quando não é suficiente

Os ácidos — tanto o BHA como o AHA — são ferramentas de cuidado muito eficazes. Com utilização regular e uma seleção adequada à pele, podem, em muitas pessoas, melhorar significativamente a textura, reduzir a visibilidade dos poros, atenuar as manchas e uniformizar o tom. São efeitos reais, não promessas de marketing.

Mas existe um limite que o cuidado em casa não ultrapassa — e vale a pena conhecê-lo. Os ácidos nos cosméticos atuam em concentrações e com pH adaptados a uma utilização diária segura. Os peelings de gabinete trabalham em condições completamente diferentes: concentrações mais elevadas, pH controlado, tempo de exposição preciso e a possibilidade de combinar substâncias em protocolos impossíveis de reproduzir em casa. É por isso que o efeito de uma sessão de gabinete é, por muitos, descrito como equivalente a semanas de rotina em casa — não porque «o cuidado em casa não funcione», mas porque o gabinete faz o mesmo, só que mais e com maior precisão.

Peeling químico

Concentrações profissionais de AHA e BHA num protocolo controlado — efeito de esfoliação mais profunda, uniformização do tom e trabalho sobre a acne numa única sessão.

Mesoterapia com agulha

Após uma série de peelings — complemento de hidratação e apoio à barreira da pele a partir do interior, sobretudo em pele enfraquecida por esfoliação intensiva.

Limpeza ultrassónica

Combinação da remoção mecânica de impurezas com o efeito dos ácidos — reforçam-se mutuamente e aprofundam o efeito de poros limpos.

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